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13.05.2013Entrevista - Luís Henrique Pellanda

Curitibano do Capão Raso, Luís Henrique Pellanda faz parte da nova e talentosa geração de escritores locais. Mais que cronista, contista, jornalista, dramaturgo, roteirista, compositor e músico, Pellanda é um atento observador do que ele acredita ser a maior invenção do homem: as cidades. Autor do livro de contos "O Macaco Ornamental" (Bertrand Brasil) e do volume de crônicas "Nós Passaremos em Branco" (Arquipélago Editorial), Luís também organizou os dois volumes do livro "As Melhores Entrevistas do Rascunho" (Arquipélago Editorial). O Guia Curitiba Apresenta conversou com Pellanda sobre sua rotina de trabalho, sua visão do universo literário local e sobre seus próximos livros.

Como é a sua rotina de escritor?
A minha rotina é a mesma de um jornalista freelancer de literatura. Além de escrever crônicas semanais, faço entrevistas com escritores para determinados veículos e mediações ao vivo que me exigem a leitura de muitos títulos. Ainda tenho que reservar um tempo para produzir textos que futuramente poderão fazer parte de uma nova publicação. De qualquer maneira, preciso publicar com frequência textos para a internet ou revistas para divulgar meu nome e continuar escrevendo, que é o mais importante.

A crônica é o gênero do nosso tempo?
Apesar de sempre ter gostado de ler, demorei algum tempo para começar a escrever crônicas. Fui convencido a ser cronista pelo Tito Montenegro e pelo Humberto Werneck e, ao que parece, acabou dando certo. Sempre tive a intenção de ter leitores a bordo, falar com leitores de língua portuguesa que me leiam e que me entendam. A crônica vai além de ser um registro do nosso tempo. Ela fala com as pessoas na hora, não se trata apenas de identificação com o estilo, se trata de mexer com o leitor. A crônica é um gênero que o leitor brasileiro sempre gostou e que nós desenvolvemos da nossa maneira. Pegamos o jeito da coisa.

A ideia principal das suas crônicas é dar visibilidade a personagens e situações urbanas comuns?
Não é a minha intenção documentar personagens. Inclusive tenho muito cuidado com o que escrevo. Afinal, é a vida dos outros que está lá. Escondo a pessoa e fico apenas com o personagem. O que eu penso é que precisamos olhar mais para uma vida que não é a de classe média alta que o escritor brasileiro costuma retratar. Quando se fala do cotidiano as pessoas acham que se trata de uma coisa comum, banal. Para mim não é isso. O cotidiano é invulgar, estranho, tão misterioso que não entendemos, se fosse facilmente compreendido aí sim se tornaria invisível.

Como você avalia o ambiente da literatura em Curitiba, temos uma produção relevante?
Sim, nossa produção atual acompanha nossa tradição literária. Recentemente me pediram ajuda para listar autores paranaenses desde o século 19, quando percebemos a lista tinha mais de uma centena de autores relevantes. Nos últimos dez anos, perdemos quatro escritores que são cultuados nacionalmente pelas pessoas que gostam de literatura (Pellanda se refere a Wilson Bueno, Manoel Carlos Karam, Jamil Snege e Valêncio Xavier). A própria crítica literária comprova isso. Como já tivemos os jornais Joaquim e Nicolau, hoje temos a revista Jandique, a Revista Lama, o Cândido e próprio Rascunho que mesmo com seu caráter nacional é produzido aqui.

De onde vem a tradição literária curitibana?
Penso que tem a ver com a repressão sexual, com a educação católica e não com um movimento cultural específico ou com a imigração europeia como alguns acreditam. Imagino que tanta gente começou a escrever a tanto tempo em Curitiba em detrimento da música, das festas populares em função da vergonha que temos de nós mesmos. Escrevemos em casa para mostrar nosso maravilhoso interior, nossa grande capacidade intelectual. Mostramos os nossos textos, não o nosso corpo. Veja como são os curitibanos nas redes sociais. Fazem grandes discursos, críticas, entram em discussões uns com os outros. As mesmas pessoas que pouco se veem, pouco debatem sobre ideias quando estão cara a cara com alguém.

Como as redes sociais fazem parte do seu trabalho?
Para mim e para muitos escritores as redes sociais funcionam muito bem. Antigamente era impossível uma pessoa escrever para um escritor e ser respondida. Hoje respondo a todos que me escrevem. Alguns dias, me dedico até duas horas apenas para responder as mensagens recebidas pelo Facebook, Twitter, e-mail e comentários em sites. Você é responsável pelo que escreve e tem que responder a todas as pessoas por mais louca que seja a observação que ela faz.

Quando sai o seu próximo livro? 
Estou trabalhando em dois livros. O primeiro é uma seleção de crônicas que produzi nos últimos dois anos e devo finalizar até o final deste mês para lançá-lo entre agosto e setembro deste ano. Ainda não tenho uma data certa, mas em 2014 pretendo lançar o meu segundo livro de contos com alguns textos já publicados e com outros inéditos.
 

Autor: Assessoria de Imprensa/FCC

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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