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28.07.2020História da Catedral Basílica é contada em exposição virtual

Cerca de dois anos depois de passar pelo Memorial de Curitiba, a exposição fotográfica e documental sobre a Catedral Basílica poderá ser vista on-line a partir deste domingo (26/7). No Facebook da Fundação Cultural, a mostra conta a história deste ícone arquitetônico, religioso e cultural desde os preparativos para a sua construção, em 1875, as principais intervenções sofridas a partir do início do século XX até a atualidade. Também retrata eventos especiais e do cotidiano do local, que passou a fazer parte da vida dos moradores da cidade.

“A proposta é revisitar os diferentes momentos da história de Curitiba a partir da Catedral, que viu a cidade se desenvolver a partir do seu entorno e deu a ela um status de modernidade”, conta a historiadora da Casa da Memória Aparecida Vaz da Silva Bahls, responsável pela organização da mostra original e também da sua adaptação para o ambiente digital.

A historiadora selecionou cerca de 40 imagens em preto-e-branco e em cores. Entre outros documentos que serviram à pesquisa, as fotografias foram pinçadas dos acervos da Casa da Memória, do Museu Paranaense, da própria Catedral, do Arquivo Público do Paraná e até da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Época de mudanças

Projetada pelo construtor italiano Luigi Pucci, a Catedral tem estilo neogótico – inspirado em elementos característicos do gótico, do período medieval, como os arcos ogivais (de linha interrompida), as rosáceas (vitrais grandes) e as torres. Também em Curitiba, o prédio da Santa Casa de Misericórdia é um exemplar bem característico desse estilo arquitetônico.

A Catedral foi erguida com a ajuda de operários luso-brasileiros, negros usados como mão-de-obra escrava e cedidos à obra por seus senhores, além dos recém-chegados imigrantes – em especial, alemães – que trabalharam lado a lado.

A época era de intensa movimentação social. Quando a obra começou, o Brasil ainda era um país monarquista e escravagista. Dezessete anos depois, ao abrir suas portas à população, em 1893, era uma república de homens livres e governado pelo seu segundo Presidente, o marechal Floriano Peixoto.

Também por conta do quadro político-social, o logradouro em frente teve sua denominação modificada. De Largo da Matriz, onde em 1870 foram recebidos os Voluntários da Pátria que lutaram na Guerra do Paraguai, passou a Largo Dom Pedro II. A alteração aconteceu em 1880, com a visita do então Imperador à cidade. Somente com a Proclamação da República, ainda durante a construção da Catedral, é que o local passa a se chamar Praça Tiradentes.

A Catedral e a cidade

Desde a demolição da antiga igreja de torres quadradas (1875) que sucedeu a primeira igrejinha de pau-a-pique até a inauguração da nova sede (7/9/1893), os serviços religiosos da futura Catedral foram deslocados para a Igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito, na atual Praça Garibaldi, e para a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas.

Logo de início, a nova igreja matriz sediou grandes eventos. O primeiro foi a instalação da Diocese de Curitiba, em 1894. O órgão havia sido criado 2 anos antes. Na ocasião, tomou posse o primeiro bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros. Assim que chegou à cidade, vindo de Paranaguá, o religioso percorreu a pé o trajeto que separa a Catedral da estação ferroviária, na atual Praça Eufrásio Correia, quando pode testar seu prestígio popular. Foi recebido com foguetório, bandeiras nas janelas e a presença dos curitibanos, que foram às ruas para saudá-lo.

Século 20

Em 1926, com a criação da Arquidiocese, a Catedral de Curitiba passa à condição de Catedral Metropolitana. Três anos depois, a imponente Catedral abre suas portas para a marcante cerimônia de casamento de Flora Camargo com Bento Munhoz da Rocha Netto, futuro governador do Paraná. Durante o período de sua gestão (1951-1955), Bento retornou ao local para celebrar o centenário de emancipação do Paraná (1953) e suas bodas de prata (1954).

No fim da década de 40, sob a coordenação do engenheiro e arquiteto italiano Carlo Barontini, é ampliada para sediar a Casa Canônica. O anexo precisou ser criado em decorrência do alargamento da rua Barão do Serro Azul. Assim, o Palácio Episcopal que ficava nesta via, na quadra em frente à igreja, foi deslocado para o espaço criado junto à igreja.

Outras intervenções

São também da década de 1940 as pinturas internas feitas pelos irmãos Anacleto e Carlo Garbacci; os vitrais, doados por famílias da cidade; e o púlpito em imbuia entalhada. Na década de 1960, o piso de madeira é substituído por pedra basalto.

A primeira restauração se deu em 1975, sob supervisão do arquiteto Cyro Correa Lyra. Em 1993, quando a cidade completou 300 anos de fundação e a Catedral comemorou seus 100 anos, passou por nova restauração. Também nessa época, passou à condição de Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba.

Em 2010 foi declarada Unidade de Interesse Especial de Preservação do Município (UIEP) e, em 2011, fechada para restauro pela terceira vez. As obras foram entregues no ano seguinte.

Catedral Metropolitana de Curitiba: cronologia

1870 – O Largo da Matriz, em frente à antiga Matriz, recebe os Voluntários da Pátria

1875 – início da demolição da antiga igreja Matriz de torres quadradas

1876 – lançamento da pedra fundamental da futura Catedral de Curitiba

1880 – O Largo da Matriz (atual Praça Tiradentes, endereço da Catedral) passa a se chamar Largo D. Pedro II

1888 – Abolição da Escravatura

1889 – Proclamação da República, com Deodoro da Fonseca na Presidência do País. O Largo D. Pedro II passa a se chamar Praça Tiradentes.

1891 – Floriano Peixoto se torna Presidente do Brasil

1893 – inauguração da Catedral no ano dos 200 anos de fundação da cidade

1894 – a Catedral de Curitiba sedia o evento de posse do primeiro bispo da Diocese de Curitiba, Dom José de Camargo Barros

1926 – a igreja passa à condição de Catedral Metropolitana de Curitiba

Anos 40 – construção do anexo da Catedral, para sediar a Casa Canônica,, execução de pinturas internas e instalação de vitrais.

Anos 60 – substituição do piso de madeira por pedra basalto

1975 – Restauro

1993 – Comemorações pelo centenário da Catedral. Restauro. Passa à condição de Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba

2010 – Torna-se Unidade de Interesse Especial de Preservação (UIEP)

2012 – Mais recente processo de restauro

 

ACESSE AQUI A EXPOSIÇÃO VIRTUAL

 

 

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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