12.05.2010Teatro Cleon Jacques apresenta peça inspirada em Maria Madalena

“Meu nome é Maria. Madalena é o nome de minha aldeia, um pequeno vilarejo onde minha mãe possuía terras e meu pai cultivava vinhas. Nasci em Magdala.” Assim começa o conto escrito por Marguerite Yourcenar, no livro Fogos, inspirado no mito de Maria Madalena, que motivou as atrizes Daniele do Rosario, Maria Tuca Fanchin e Adriana Seiffert a levar para o palco uma pesquisa artística sobre o tema. “Marias e Madalena” estréia dia 15 de maio (sábado), às 20h, no Teatro Cleon Jacques, no Parque São Lourenço. A direção é de Marcio Juliano.

O conto de Yourcenar foi o ponto de partida deste trabalho. A partir dele a pesquisa estendeu-se a outras referências como O Evangelho de Maria – Miryam de Mágdala, traduzido e comentado por Jean-Yves Leloup e O Amor de Madalena, sermão anônimo francês do século XVII, encontrado e traduzido por Rainer Maria Rilke, em 1911. Amor, abandono, sacrifício, escolha, dualidade, desejo, transcendência são alguns dos temas levantados na peça, cuja dramaturgia é criação coletiva.

“Achamos que estudando Madalena íamos entendê-la. Descobrimos que, à medida que tentávamos nos aprofundar nesta figura, menos consistente ela ficava, pois as versões históricas, inclusive a da própria bíblia sobre Madalena são contraditórias”, revela o diretor Marcio Juliano. O caminho foi estudar o mito Madalena e não reduzi-la a uma pessoa. A partir desta linha de pesquisa reflexões pessoais vieram à tona e acabaram compondo a trama.

“Não montamos o conto e nem contamos a história de Maria Madalena neste trabalho. A partir deste arquétipo, descobrimos o que nos identifica com este universo e o trabalho é resultado da tentativa de nos aproximarmos dela. Os momentos em que a Madalena aparece, de maneira mais literal, acontecem a partir da personagem do conto, que é uma ficção”, revela Maria Tuca.

“É um “processo aberto” que não traz respostas, pelo contrário, aponta questionamentos. Não se encerra para ser apresentado, se constrói também a partir das apresentações. É fluido, subjetivo, poético, performático, um convite para comungar essa experiência”, acrescenta Daniele. “Sou totalmente apaixonada pelo conto de Yourcenar e essa montagem é a realização de um sonho”, declara Adriana.

“A peça fala de mulheres sim, aliás, é muito feminina, afinal são três atrizes que a compõem, mas vai além, fala, na verdade, do feminino e do masculino que se manifestam tanto no homem quanto na mulher”, conta o diretor. Maria Madalena é uma lenda sírio-judaica, mas que o cristianismo dela tomou a forma. “Fugir” deste lugar foi outro desafio que a equipe enfrentou. “O processo de criação revelou o quanto estamos inconscientemente impregnados de referências da igreja católica”, esclarece.

O que Madalena representa para cada um e que tipo de reflexão traz? A partir desta pergunta a dramaturgia foi se revelando e histórias pessoais foram se entrelaçando com a história de Madalena. Discutir sobre as várias faces do feminino e a condição da mulher contemporânea com o seu próprio corpo, com a maternidade, com o prazer, com a realização, foi inevitável, bem como, a relação de Madalena com Jesus. “Suas histórias estão diretamente interligadas, mas, não queremos, de jeito nenhum, com este trabalho discutir se Madalena realmente existiu, se foi mulher de Jesus ou não, nosso propósito é apenas dimensionar a humanidade deste mito”, adianta Juliano.

Reencontro - Além da vontade de falar sobre esse tema, este trabalho possibilita também o reencontro das atrizes. Todas iniciaram suas carreiras aqui em Curitiba, mas hoje vivem fora. Maria Tuca mora em São Paulo e Daniele do Rosario e Adriana Seiffert, no Rio de Janeiro. Trata-se de um projeto antigo, de 2004. Como em seis anos a vida muda muito, o processo de criação exigiu um grande empenho de todos da equipe, pois parte dele foi concebido na cidade do Rio e finalizado em Curitiba.

“Retornar à cidade natal para realizar um trabalho está sendo prazeroso. Tenho família aqui e venho visitá-la com certa freqüência, mas estar aqui trabalhando despertou em mim uma nostalgia. Descobri que sinto muita saudade daqui. Estar presente no dia-a-dia de Curitiba, percorrendo as ruas, revisitando lugares, revendo pessoas e entrando em contato com a arte que aqui se faz me deu a dimensão do lugar que a cidade ocupa dentro de mim”, conta Daniele.

Integram a equipe de “Marias e Madalena” o artista plástico Glauco Menta, que assina o cenário, Eduardo Giacomini, o figurino, Edith de Camargo, a composição musical e Nadja Naira e Wagner Corrêa, a iluminação.

Serviço:
Espetáculo teatral “Marias e Madalena”
Local: Teatro Cleon Jacques – R. Mateus Leme, 4.700 - Parque São Lourenço Data: Estréia dia 15 de maio (sábado), às 20h. Temporada de 15 a 30 de maio, de quarta a sábado às 20h, e domingos às 19h.
Ingressos: R$20 e R$10
Informações: 3313-7190

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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