07.12.2009Peça sobre Charles Manson em cartaz no Novelas Curitibanas

Manson Superstar é o nome da peça sobre Charles Manson, em cartaz no palco do Teatro Novelas Curitibanas, até o dia 20 de dezembro. A história do líder que, em 1969, levou um grupo de jovens a matar a atriz Sharon Tate - grávida de oito meses e meio do diretor Roman Polanski - é resgatada pela Vigor Mortis, criadora dos espetáculos Morgue Story, Graphic e Hitchcock Blonde.

A peça, realizada com recursos do Fundo Municipal da Cultura, por meio do Edital de Programação do Teatro Novelas Curitibanas da Fundação Cultural de Curitiba, é um misto de documentário e musical. Isso não significa que a Vigor Mortis está mudando completamente de gênero. A música entra nesta peça de formas curiosas. Entra fazendo parte da cena e não vem de uma dimensão imaginária. "Manson queria ser um músico de sucesso e a música sempre esteve presente em sua vida. Não só não quisemos ignorar este aspecto, mas também desejamos potencializar algo que poderia dar uma nova imagem a esta história", comenta o diretor Paulo Biscaia.

Biscaia lembra que Manson teve como justificativa das mortes uma música dos Beatles (os mesmos que disseram ser mais populares que Cristos). A canção Helter Skelter foi interpretada pelo líder como profecia de uma guerra racial, que faria com que todas as guerras terminassem. A sua "família", um grupo de jovens hippies que haviam fugido de casa para se juntar à comunidade de Manson, acreditou piamente na tal profecia. "É por isso que a peça tem essa estrutura não de musical, mas quase como de um show de rock. Não importa a qualidade ou a verdade do que o rockstar faz, seus fãs o idolatram cegamente", explica Biscaia.

Manson Superstar é uma peça que fala exatamente sobre isso: a necessidade de ídolos. A história que chocou o mundo "persegue" o diretor Paulo Biscaia não é de hoje. "Tate estava grávida de oito meses e meio no dia em que foi morta, 9 de agosto de 1969. Eu nasci vinte dias depois. Sempre fiquei fascinado com a história de como esses garotos se deixaram levar por um líder como Manson. Eles mataram pessoas sem absolutamente nenhum motivo e com requintes de crueldade. Só Sharon Tate recebeu 16 facadas, mas seus amigos receberam mais de 50. De onde vem essa idolatria? Que necessidade é essa de idolatrar alguém e fazer tudo o que fossem comandados a fazer?", questiona Biscaia.

Além da música, a peça traz outro elemento incomum: os personagens falam em inglês com legendas em português. "Há poucas falas", diz o diretor, "a maior parte do que é ‘dito', é ‘cantado', mas o que não é cantado deveria ter a sonoridade do ambiente. Por isso optamos por manter a língua original do material. As palavras não são tão importantes quanto a atmosfera neste caso. Existem citações célebres de Manson, é fato, mas isso pode ficar para o público pesquisar depois do espetáculo. Seria um pleonasmo a gente trabalhar estes elementos aqui."

Atores

Quem mais tem textos é o ator Leandro Daniel Colombo (De "Cachorro Manco Show", "Morgue Story" e vencedor do Troféu Gralha Azul por "Pincéis e Facas"), no papel do cineasta Roman Polanski, que voltou às manchetes recentemente por conta de sua apreensão na Suíça e possibilidade de extradição para os Estados Unidos, para ser julgado e preso por ter mantido relações sexuais com uma garota de 13 anos em 1978. Andrew Knoll (ator do premiado curta "Com as Próprias Mãos" e da montagem "Jesus Vem de Hanover") encarna o carismático e assustador Manson em uma interpretação onde ele literalmente canta, toca, dança e representa.

O elenco ainda tem Carolina Fauquemont como Sharon Tate, Wagner Corrêa como Jay Sebring (o ex-namorado de Sharon que também foi assassinado junto com ela), e os integrantes da ‘família Manson' Tex Watson, Patricia Krenwinkel, Leslie Van Houten e Susan Atkins, interpretados respectivamente por Marco Novack, Ana Clara Fischer, Michelle Pucci e Rafaella Marques. O cenário é de Paulo Vinícius e a produção, de Tânia Araújo.

Serviço: Manson Superstar - direção de Paulo Biscaia Local: Teatro Novelas Curitibanas - Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1222

Data e horário: temporada de apresentações até 20 de dezembro - de quinta-feira a sábado, às 21h, e domingos, às 19h.

Ingressos: uma lata de leite em pó.

Informações: www.vigormortis.com.br

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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