18.10.2019No Bairro Novo, maternidade tem espaço cativo para a literatura

 

Uma vez por mês, na Maternidade Bairro Novo, funcionários da unidade de saúde deixam seus afazeres para atender a um compromisso igualmente importante: juntar-se à roda de leitura mediada há 7 anos no local por Kely Medeiros, coordenadora da Casa da Leitura Walmor Marcelino, no Sítio Cercado.

Durante aproximadamente 1 hora, no horário de visita de mães e bebês, quando diminui a necessidade de manejo dos pacientes, os participantes leem juntos e discutem trechos de romances, crônicas, contos e até letras de música.

 

“Leitura é algo tão necessário como respirar. Por isso, além de esperar que os leitores busquem livros, vamos até eles para levar a literatura”, diz a mediadora.

O local dos encontros revela a importância que os livros têm para a maternidade: a sala de leitura, formada por volumes destinados pela Fundação Cultural e doados por Kely a partir do começo do projeto. Cerca de 500 volumes ocupam as estantes do ambiente.

Dinâmica participativa

Ao mesmo tempo em que Kely lê em voz alta, os demais acompanham o texto pelas fotocópias que ela entrega a cada um, antes do início da atividade, na sala de leitura. Ao final, todos podem fazer comentários e observações.

Desta vez, o texto escolhido foi o conto A Cabeleireira, da escritora portuguesa Inês Pedrosa. “A ideia foi associar a temática do feminino na literatura com o Outubro Rosa”, explicou a mediadora, referindo-se ao mês do ano dedicado à prevenção do câncer de mama.

Os textos a serem trabalhados são definidos no ano anterior, depois de propostos e aprovados pela coordenação do Curitiba Lê.

Impressões do público

Responsável pelo setor de Faturamento da maternidade, Flávia Veronez está há 6 anos na unidade de saúde e é uma das mais assíduas na roda de leitura. “Venho desde que comecei a trabalhar aqui. Gosto muito de ler e, além disso, é uma oportunidade de dar uma parada na correria da rotina, ouvir uma história diferente, refletir e opinar”, conta.

Há uma semana no local, o médico Daniel Targa ficou surpreso quando recebeu o convite para participar do encontro literário.

“Não vi isso em nenhum dos hospitais por onde passei e achei muito bom. Além de ser uma pausa para ler e pensar sobre algo não relacionado à Medicina, é um momento de interação com pessoas da equipe que trabalham em áreas completamente diferentes da minha”, avaliou o profissional, que estudou na Argentina e está fazendo estágio de formação complementar supervisionada para que o diploma estrangeiro seja reconhecido no Brasil.

Diretora-executiva da maternidade, Edinalva Carvalho, diz que não imagina o local sem a atividade. “Além de incentivar a leitura, o raciocínio, a empatia com os dramas dos outros, a proposta torna o ambiente mais leve. Com certeza é muito benéfico para a equipe”, argumenta Edi, como é chamada pelos colegas.

Na vizinhança

A Casa da Leitura faz parte da rede de 17 unidades do programa Curitiba Lê, da Fundação Cultural de Curitiba, e fica na mesma região que a maternidade – unidade do município de Curitiba com 34 leitos e que faz cerca de 170 partos por mês, sendo 85% normais.

Além da equipe do serviço de saúde, a atividade é aberta às pacientes e seus acompanhantes. Kely explica que a presença destes outros possíveis participantes é menos frequente porque, como a roda de leitura acontece no horário de visita, quando as mulheres que já tiveram seus filhos recebem parentes e amigos curiosos por vê-las e conhecer seus filhos, restam as que ainda vão ter bebê.

“Como é um momento de ansiedade, de expectativa, poucas estão relaxadas a ponto de aceitarem vir. Mas elas e seus acompanhantes são muito bem-vindos”, garante a mediadora.

Além do hospital, também estão no roteiro das rodas de leitura unidades ambulatoriais de saúde mental (Caps) e para acolhimento de pessoas em situação de rua (Centros Pop).

 

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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