30.07.2010Fundação Cultural promove roda de leitura para cegos

Um grupo formado por 11 portadores de deficiência visual participou na tarde desta quinta-feira (29), na Casa da Leitura Franco Giglio, de uma roda de leitura especial. Mediados pelo pesquisador Flávio Stein, o grupo utilizou textos impressos em braile na atividade que faz parte do programa Curitiba Lê, promovido pela Fundação Cultural de Curitiba. O programa engloba um conjunto de ações de fomento, difusão e formação que visam aumentar quantitativa e qualitativamente os índices de leitura nos vários grupos sociais.

As rodas de leitura, edital do Fundo Municipal da Cultura, acontecem durante o ano nas Casas da Leitura e outros espaços administrados pela FCC. A iniciativa de montar a atividade dirigida ao grupo de cegos partiu da responsável pela Casa Franco Giglio, Joseane Baratto. Ela conta que participou por dois anos da Comissão da Pessoa com Deficiência, da Prefeitura Municipal e que, por isso, percebeu a importância de realizar atividades que possibilitem a inclusão social. Os participantes foram encaminhados pela SecretariaEspecial dos Direitos da Pessoa com Deficiência, por meio das instituições Adevipar (Associação dos Deficientes Visuais do Paraná) e Instituto dos Cegos.

O mediador da roda, Flavio Stein, selecionou dois contos para trabalhar com o grupo. Neste primeiro encontro foi feita a leitura de Gaetaninho, de Alcântara Machado, e no próximo será Conto de verão nº 2 - bandeira branca, de Luiz Fernando Veríssimo. Os textos foramimpressos embraile pela ONG Unilehu, Universidade Livre para a Eficiência Humana, numa parceria com a Fundação Cultural de Curitiba. Atuando como mediador de rodas para o público adulto desde o início do ano, Stein considerou uma boa experiência. "Foi a primeira vez que realizei uma atividade como esta e foi um exercício muito interessante adequar a verbalização do texto com a leitura em braile e avaliar a forma como ele foi percebido pelos participantes", diz.

O presidente da Adevipar e assessor para área visual da Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência, José Juarez Martins, elogiou a iniciativa e espera que haja outras como essa "que estimula a leitura e contribui para inclusão do deficiente." Já o professor Leomir Barbosa Bill, diretor da escola Orlando Chaves, da Adevipar, diz que a roda foi importante para os alunos, "pois a leitura em braile é boa para exercitar a escrita e as discussões influenciam para tirar a timidez de ler em público."

Jair José Sommer, de 36 anos, gostou de participar, assim como seu colega José Roberto Simões, 40 anos, atleta paraolímpico e primeiro deficiente faixa preta em judô do Brasil. Como Jair, Simões gosta de ler e prefere a leitura em braile: "permite uma concentração maior", destaca.

Josafá, de 50 anos, diz que "gostaria que tivesse mais rodas como essa". Ele frequenta o primeiro ano do ensino médio no CEEBJA Maria Leoni de Lyra e adora ler poesia. A vontade de conhecer mais sobre literatura e o apoio da professora que passa os textos para impressão em braile são fundamentais.

Stein afirma que nos ciclos que ministra procura utilizar a literatura também como ferramenta para trocas de experiências de vida: "as rodas permitem conversas sobre a vida e o mundo de cada um, não só sobre o que está sendo lido", explica. Foi o que aconteceu com o grupo de cegos. A princípio, a discussão versou sobre o texto de Machado, mas evoluiu para outras questões como a deficiência visual e a utilização de livros falados e textos em braile. "Antes eu lia, hoje eu escuto", diz Áureo dos Santos, 67 anos, que perdeu a visão com 44.

Curitiba Lê - Além das rodas de leitura integram o Curitiba Lê as Casas da Leitura e a primeira Estação da Leitura, no Terminal do Pinheirinho. São novos espaços que têm como objetivo incentivar, de forma ativa, a prática da leitura e envolver a comunidade no hábito de ler. O programa também engloba outras atividades de incentivo, como contações de história, oficinas e laboratórios literários, cursos e workshops.

O coordenador de literatura da Fundação Cultural, Mauro Tietz, destaca que as casas da leitura já possuem um acervo em braile e que promover as rodas de leitura para os cegos é uma ideia que deverá se estender também para os outros espaços. "O programa Curitiba Lê é para ampliar o número de leitores na cidade e vamos investir em ações que promovam a oferta do serviço público de leitura a vários grupos", afirma.

Até o final do ano mais quatro mais quatro Estações da Leitura serão instaladas em terminais da cidade e devem entrar em funcionamento seis biblioparques, postos de empréstimos de livros que funcionarão nos finais de semana nos parques da cidade. O Bondinho da Rua XV também está sendo adaptado para abrigar uma Estação da Leitura.

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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