08.05.2014Cineasta Luiz Carlos Lacerda lança livro de poesias na Cinemateca

O cineasta carioca Luiz Carlos Lacerda, autor de uma extensa lista de filmes, entre eles, “Leila Diniz” (1987), um dos mais marcantes de sua carreira, estará em Curitiba no próximo domingo (11) para o lançamento do livro de poesias “Os sais da lembrança”. O lançamento será na Cinemateca de Curitiba, a partir das 19h, quando será exibido também o documentário “Casa 9”, produção de 2011, sobre o endereço que o cineasta dividiu com o compositor Jards Macalé, nos anos 70. O local ficou conhecido como uma trincheira da criação durante os anos da ditadura, servindo como ponto de encontro de personalidades e artistas da época.

A vinda de Luiz Carlos Lacerda a Curitiba é promovida pela Associação de Cinema e Vídeo do Paraná – Avec, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba. Para o presidente da FCC, Marcos Cordiolli, é hora de Curitiba valorizar um cineasta cuja obra é muito importante para o cinema brasileiro. “O Lacerda, na sua imensa generosidade, apoiou decisivamente o pólo cinematográfico paranaense, em especial em Cascavel”, lembra.

O cineasta tem percorrido as capitais para divulgar o livro, o primeiro inteiramente de sua autoria. A obra, com selo da Giostri Editora, reúne poemas inéditos e outros publicados em coletâneas e antologias, datados do final da década de 1960 em diante. “Procurei reuni-los sob o critério de uma certa unidade poética e de estilo, e que retratam fases distintas da minha vida, quase como um memorial, motivo pelo qual intitulei o livro como ‘Os sais da lembrança’ – o tempero que alimentou a minha vida nesse meio século de poesia”, diz Luiz Carlos (ou Bigode, como é mais conhecido no meio artístico).

A relação de Luiz Carlos Lacerda com a poesia é tão antiga quanto o cinema. Bisneto e neto de poetas, criou desde cedo o gosto pela literatura e foi incentivado pelo poeta Cláudio Murilo Leal, seu professor, a publicar os seus primeiros poemas. Mais tarde, o poeta Walmir Ayala também selecionou suas poesias, já marcadas pela sua militância política, para diversas antologias.

A dedicação ao cinema brasileiro, como diretor e produtor, afastou-o, em termos, da literatura. A poesia passou a ser incorporada a essa nova expressão, representada em filmes como “O sereno desespero” (com a poesia de Cecília Meireilles), “Nós gostávamos tanto dele” (inspirado na poesia de Walmir Ayala), “O homem e sua hora” (baseado na obra de Mário Faustino), “A morte de Narciso” (poesia de Lezama Lima), “O enfeitiçado”, “Mãos vazias” e “A mulher de longe” (obras de Lucio Cardoso).

Cinema – Muito da poesia de Luiz Carlos Lacerda tem relação com os anos de repressão, período a que se refere o documentário “Casa 9”, que será exibido no dia do lançamento de “Os sais da lembrança”. O filme apresenta os relatos de artistas que moraram ou freqüentaram aquele endereço no auge da ditadura, transformando-o num “oásis nos anos de chumbo” (nas palavras do crítico Rodrigo Fonseca, de O Globo).

“A Tropicália, o Cinema Novo, posteriormente cantores como Lenine e Lulu Santos, Clarice Lispector viveram ou frequentaram a minha casa – que dividi com o compositor Jards Macalé e a atriz Sonia Braga. O filme tem imagens inéditas de Caetano no exílio londrino, show da Gal nos anos 70 e trechos de filmes meus e do Nelson Pereira dos Santos – que nasceram de conversas naquela casa. Muitos de meus poemas foram escritos nessa época”, conta o cineasta, que participou da resistência, foi perseguido e teve que viver na clandestinidade, sofrendo o arbítrio dos tempos de ditadura.

Carreira – Cineasta, roteirista e produtor, Luiz Carlos Lacerda ficou consagrado pelo filme “Leila Diniz”, sobre um dos maiores ícones femininos do país. Começou sua carreira aos 19 anos, como assistente de direção de Ruy Santos e depois de Nelson Pereira dos Santos. Na área da produção, participou de “Chuvas de verão” (1978), de Carlos Diegues, “Eu te amo” (1981), de Arnaldo Jabor, e “O homem da capa preta” (1986), de Sérgio Rezende, entre outros. Estreou na direção com uma adaptação do romance homônimo de Lucio Cardoso, “Mãos vazias” (1971).

Lacerda também fez filmes publicitários, produziu seriados e novelas para a Rede Globo. Roteirizou e dirigiu cerca de 30 curtas-metragens e vídeos, todos sobre temas ou personalidades da cultura brasileira, como Lúcio Cardoso, Cecília Meirelles, Antonio Parreiras, Barão de Itararé, entre outros. Entre 1992 e 1993, foi professor da Escuela Internacional de Cine e TV de San Antonio de Los Baños (Cuba).

Atualmente, em parceria com o fotógrafo e câmera Alisson Prodlik, realiza a série “Interior/Dia”, sobre cultura popular, para o Canal Brasil/Globosat, que será exibida no segundo semestre deste ano. Também trabalha no roteiro de seu próximo longa, “Introdução à música do sangue”, com argumento do escritor Lucio Cardoso. Luiz Carlos também orienta há 17 anos oficinas de realização nos festivais de cinema de Tiradentes e Ouro Preto, testemunhando o empenho e a paixão da juventude pelo cinema brasileiro, o que, segundo ele, lhe dá “imensa satisfação”.

Serviço:
Lançamento do livro “Os sais da lembrança” e exibição do filme “Casa 9”, de Luiz Carlos Lacerda
Local: Cinemateca de Curitiba – R. Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco
Data: 11 de maio de 2014 (domingo), às 19h
Entrada franca.

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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