26.02.2020Aprovado no vestibular, jovem do Sítio Cercado vai estudar Arquitetura e Urbanismo

Frequentador da Casa da Leitura Walmor Marcelino, no Sítio Cercado, desde que começou a ler, Guilherme de Toledo Rocha torce para chegar o dia 2 de março. A data marca o início do calendário acadêmico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde ele estudará Arquitetura e Urbanismo.

O jovem foi o segundo colocado do curso na cota para estudantes de baixa renda e oriundos de escolas públicas, categoria que ofereceu 11 das 45 vagas para cotistas.

“Estou transbordando de felicidade. É um grande objetivo que sempre mirei e consegui atingir, depois de dois anos estudando e buscando a aprovação”, diz Guilherme, curitibano de 18 anos.

Agora a meta é ser arquiteto e professor “para ajudar a melhorar um pouquinho o mundo”, diz o rapaz, que mora com os pais e a irmã mais velha no Sítio Cercado e pisou pela primeira vez na Casa da Leitura quando tinha 8 anos. Foi levado pela irmã, Thais, quatro anos mais velha, e não saiu mais daquele espaço da Fundação Cultural de Curitiba.

Leitura, uma necessidade

Foi da Casa da Leitura que ele emprestou e leu, com a assessoria da equipe de mediadores da unidade, os oito livros de Literatura Brasileira indicados pela UFPR.

“Sou muito grato ao pessoal da Casa da Leitura. Seria um gasto grande comprar esses livros ou os que li antes e ajudaram na minha bagagem cultural na hora do vestibular”, observa Guilherme.

Trajetória

Primeiro da família a entrar em uma universidade pública, o futuro arquiteto é filho do funcionário da área de vendas Cezar Rocha e da dona de casa Vanilda Rocha. Ele estudou na Escola Municipal Paulo Esmanhoto, no Colégio Estadual Flávio Ferreira da Luz e, por último, no Colégio Estadual do Paraná.

Como não conseguiu ser aprovado no primeiro vestibular, apelou para as boas notas obtidas na escola pública e conseguiu um desconto importante para a família no cursinho pré-vestibular Dynamico.

Livre das apostilas, agora Guilherme está lendo 1984 (de George Orwell). “Não leio por obrigação mas por necessidade”, diz ele.

O Manifesto Comunista (de Karl Marx) e O Príncipe (de Maquiavel) já passaram por suas mãos, assim como O Menino do Pijama Listrado (de John Boyne), que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. A Revolução dos Bichos, também de Orwell, está na fila.

“Dá pra ver que eu gosto um pouquinho de política, né?”, brinca o estudante, que também pinta. Há quatro anos participa do grupo Urban Sketchers, que reúne desenhistas profissionais e amadores para retratar casas, prédios e logradouros da cidade. Na na parede da entrada da Casa da Leitura, é dele o retrato do jornalista e escritor Walmor Marcelino.

Três ônibus

Organizado, o novo calouro da UFPR já sabe que vai ter que acordar muito cedo. As aulas começam às 7h30, no câmpus Centro Politécnico, no Jardim das Américas. O trajeto até lá vai tomar 1h40 do seu dia e exigir o embarque em três linhas de ônibus só para chegar ao destino.

“Vou até o Pinheirinho. De lá, desço no Capão Raso e pego o Inter 2 até a faculdade”, conta, lembrando que isso não será problema. “Sempre acordei cedo pra estudar.”

 

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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