07.05.2020Ação Educativa convida público para visita mediada on-line

Há 22 anos (8/5/1998), Curitiba perdia Poty – o artista que fundiu em traços o passado e o presente da cidade e do Estado. Além de desenhista, ceramista, gravador e ilustrador de livros e jornais, deixou murais – para o artista, a forma mais democrática de colocar o público em contato com seu trabalho. Há três anos, alguns deles integram o mais novo dos sete roteiros para visita mediada idealizados pela Fundação Cultural.

Cinco murais distribuídos entre o Centro Histórico e a região do Passeio Público integram o conjunto selecionado para o circuito. São eles O Largo da Ordem e Imagens da Cdade, os dois na Travessa Nestor de Castro; Tropeiro, na Rua Dr. Claudino dos Santos; Centenário da Emancipação Política do Paraná, na Praça 19 de Dezembro; e O Teatro no Mundo, na fachada do Teatro Guaíra.

Fora do período de isolamento social, necessário para prevenir o contágio pelo coronavírus, o caminho é feito a pé, durante cerca de duas horas, por grupos de escolares, universitários, professores e turistas. A atividade é grátis mas sujeita a agendamento. Agora, o jeito é percorrê-lo de casa, pela internet, com a ajuda de fotografias ou de vídeo feito na época do lançamento do roteiro (assista aqui).

Valorização da cena local e regional

A coordenadora de Ação Educativa da Fundação Cultural, Hamilca Cassiana Silva, observa que os painéis reúnem características marcantes da vasta obra deixada pelo artista curitibano, que nasceu no dia do aniversário da cidade (29/3).

“O traço de Poty contempla a modernidade e traz a distorção criativa pela justaposição de espaço e tempo. As cenas do cotidiano são carregadas de singeleza e reafirmam a identidade curitibana e paranaense, levando o espectador a se reconhecer afetivamente em seus traços”, avalia.

Napoleon Potyguara Lazzarotto morreu aos 74 anos. Nos mais de 50 anos de carreira, viu suas obras ganharem espaço no Brasil (o painel para o Memorial da América Latina, em São Paulo, é um exemplo) e em países como Portugal, França e Alemanha.

Também deu aulas de Desenho e Pintura na Escola Livre de Artes Plásticas, que ajudou a organizar, e no Masp (Museu de Arte de São Paulo) e deixou os livros A Propósito de Figurinhas e Curitiba, de Nós (com Valêncio Xavier). Entre os livros que ilustrou, estão obras de Guimarães Rosa e Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Dalton Trevisan.

 

Conhecendo os painéis de Poty

Título: O Largo da Ordem
Ano: 1993
Tamanho: 8,70 x 22,40 m
Local: Travessa Nestor de Castro
O painel apresenta a Curitiba da época em que os imigrantes vinham, em carroças, vender produtos no Largo da Ordem. Há registros de que ele, quando criança, acompanhava sua avó nesta tarefa. Na obra são representados a carroça, uma colona, pinheiros (presença constante em suas obras) e a Igreja da Ordem.

Título: Imagens da Cidade
Ano: 1996
Tamanho: 49m
Local: Travessa Nestor de Castro
Este painel é considerado o maior mural cerâmico do país e foi produzido para o aniversário de 300 anos de Curitiba. A obra procura resumir a história da cidade pelo contraste entre o antigo e o novo, o passado e a atualidade. Destaca os principais pontos turísticos da cidade e seus ícones, como as casas de imigrantes, a araucária, a gralha azul e as estações-tubo, onde se mostra o reflexo da cidade de ontem. No centro há um mural de concreto com imagens de pinheiros em relevo.

Título: Tropeiro
Ano: 1995
Tamanho: 0,5 x 5 m
Local: Rua Claudino dos Santos, 72.
Este pequeno mural retrata a passagem dos tropeiros e suas tropas de mulas por Curitiba. Destaca-se a figura central do tropeiro, que aparenta observar o espectador com com olhos para o futuro e o passado.

Título: 1° Centenário da Emancipação Política do Estado do Paraná
Ano: 1953
Tamanho: 3 x 30 m
Local: Praça 19 de Dezembro
Esse é o primeiro mural de Poty em Curitiba e foi encomendado para a comemoração do Centenário de Emancipação Política do Paraná. O mural foi produzido em tons de azul e dividido em sete quadros, onde resume períodos e fatos históricos do Estado. Poty mostra em seus azulejos os garimpeiros faiscando ouro, os jesuítas e seu contato com os índios, os bandeirantes que fundaram as primeiras vilas, os tropeiros, o comércio e a navegação fluvial que levaram ao desenvolvimento do interior, com a criação do Estado e do primeiro Governo da Província.

Título: O Teatro do mundo
Local: Teatro Guaíra – fachada (Rua XV de Novembro, 971)
Tamanho: 4 x 27,60 m
Ano: 1969
Tem como tema a criação e a evolução das artes cênicas, partindo da tragédia grega. Apresenta imagens de Shakespeare e Hamlet, além de mostrar ópera, música e dança até chegar a uma carroça de teatro mambembe que carrega o mundo.

 

Autor: Assessoria de Imprensa

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

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